sábado, 31 de março de 2018

ESTOICISMO: PARTE 1 - CAPÍTULO 1

A Ascensão do Estoicismo
A Filosofia Toma um Interesse pela Vida


Provavelmente sempre existiram filósofos, em algum sentido da palavra. Eles foram aqueles indivíduos que não apenas levantaram perguntas - como De onde o mundo surgiu? De onde as pessoas vieram? e Porque existem os Arco Íris? - mas mais importante, continuaram fazendo as perguntas seguintes. Quando dito, por exemplo, que o mundo foi criado pelos Deuses, estes Proto-filósofos perceberam que esta resposta não atingia a raiz da questão. Eles continuaram em perguntar por qual motivo os Deuses fizeram o mundo, como o fizeram, e - mais vexatoriamente para aqueles tentando responder suas perguntas - quem fez os Deuses.


Seja como tenha sido ou onde ele começou, o pensamento filosófico deu um gigante passo a frente no Século VI. Encontramos Pitágoras (570 - 500 ac) filosofando na Itália; Thales (636-546 ac), Anaximandro (641-547 ac), e Heráclito (535-475 ac) na Grécia; Confúcio (551-479 ac) na China; e Buda (563-483 ac) na Índia. Não é claro se estes indivíduos descobriram a filosofia independentemente uns dos outros; nem é claro em qual direção a influência filosófica fluiu, se ela sequer fluiu.

O biógrafo grego Diógenes Laércio, do avançado ponto no século III dc,  nos ofereceu uma agradável leitura (mas não muito confiável) da história da filosofia antiga. De acordo com Diógenes, a antiga filosofia Ocidental tinha dois ramos separados. Um ramo - que ele chama de ramo italiano - se iniciou com Pitágoras. Se observarmos dentre os vários sucessores de Pitágoras, chegaremos finalmente a Epicuro, de quem a escola de Filosofia era a maior rival da Escola Estóica. O outro ramo - Diógenes o chama de ramo Ioniano - se iniciou com Anaximandro, quem (intelectualmente e pedagogicamente) apadrinhou Anaxímenes, que por sua vez apadrinhou Anaxágoras, que apadrinhou Arquelau, quem, finalmente, apadrinhou Sócrates (469-399 ac).


Sócrates viveu uma vida marcante. Ele também teve uma morte marcante: Foi julgado por corromper os jovens de Atenas entre outras alegações, foi considerado culpado por seus camaradas cidadãos, e sentenciado a morrer bebendo veneno de cicuta. Ele poderia ter se livrado desta punição se ajoelhando perante a misericórdia da corte ou fugindo antes da aplicação da sentença. Seus princípios filosóficos, porém, não o deixaram fazer tais coisas. Após sua morte, muitos dos seguidores de Sócrates não apenas continuaram a praticar a filosofia como também atraíram seguidores por si mesmos. Platão, o mais conhecido de seus estudantes, fundou a escola de filosofia conhecida como a Academia, Aristipo fundou a escola Cirenaica, Euclides fundou a escola Megárica, Fédon fundou a escola Helênica, e Antístenes fundou a escola Cínica. O que era um pingo de atividade filosófica antes da morte de Sócrates se tornou, após sua morte, Uma verdadeira torrente.


Por qual motivo essa explosão de interesse em filosofia ocorreu?


Em parte pelo fato de que Sócrates mudou o foco da investigação filosófica. Antes de Sócrates os filósofos eram primariamente interessados em explicar o mundo a sua volta e seus fenômenos - fazendo o que hoje chamamos de Ciência.


Apesar de Sócrates ter estudado ciência quando jovem, ele a abandonou para focar sua atenção na condição humana. Como o orador romano, político, e filósofo Cícero colocou, Sócrates foi “o primeiro a invocar a filosofia dos céus e trazê-la para as cidades dos homens, também para suas casas e compeli-la a fazer perguntas a respeito da vida, moralidade e sobre as coisas boas e ruins. O classicista Francis MacDonald Conford descreve a significância filosófica de Sócrates em termos similares: “A filosofia Pré-Socrática  se inicia … com a descoberta da Natureza; a filosofia Socrática se inicia com a descoberta da alma do homem.”


Por qual motivo Sócrates permanece uma figura impressionante vinte e quatro séculos após sua morte? Não é por causa de suas descobertas filosóficas; suas conclusões filosóficas, afinal, eram basicamente negativas: Ele nos mostrou aquilo que não sabemos. Ao invés, esta foi a extensão com a qual ele permitiu seu modo de vida ser afetado por suas especulações filosóficas. De fato, de acordo com o filósofo Luiz E. Navia, “em Sócrates, talvez mas que em qualquer outro grande filósofo, nós temos um exemplo de um homem que foi capaz de integrar em sua vida conceitos teóricos e especulativos no contexto de suas atividades diárias.” Navia o descreve como “um verdadeiro paradigma da atividade filosófica tanto em pensamento quanto em ações.”


Presumivelmente, alguns daqueles atraídos por Sócrates foram impressionados primariamente por suas teorias, enquanto outros foram mais impressionados por seu estilo de vida. Platão pertenceu ao primeiro grupo; em sua Academia, Platão estava mais interessado em explorar a teoria filosófica do que em distribuir conselhos de vida. Antístenes em contraste, ficou mais impressionado com o estilo de vida de Sócrates; a escola Cínica que ele fundou evitou a teoria filosófica e focou em aconselhar as pessoas sobre o que deveriam fazer para ter uma boa vida.

A MORTE DE SÓCRATES


É como se Sócrates, em sua morte, tivesse se dividido em Platão e Antístenes, com Platão herdando o interesse de Sócrates em teoria e Antístenes herdado sua preocupação com viver uma boa vida. Teria sido maravilhoso se estes dois lados da filosofia tivessem florescido no milênio subsequente, na medida em que as pessoas se beneficiariam tanto da teorização filosófica quanto da aplicação da filosofia em suas próprias vidas. Infelizmente, apesar da teorização filosófica ter florescido, o lado prático foi colocado de lado.


Abaixo de um governo despótico como o da antiga Pérsia, a habilidade de escrever, ler e fazer contas foi importante aos oficiais, ao contrário da habilidade de persuasão. Oficiais precisavam apenas dar ordens, e aqueles sob seus  comandos deveriam obedecer sem hesitação. Na Grécia e em Roma, contudo, a ascensão da democracia significava que aqueles capazes de persuadir outros eram mais suscetíveis a ter uma carreira política ou jurídica de sucesso. Foi em parte por essa razão que influentes pais gregos e romanos, após a educação secundária de uma criança estar completa, buscavam professores que pudessem desenvolver as habilidades persuasivas de seus filhos.


Estes pais podem ter procurado os serviços de um sofista, cujo objetivo era ensinar seus pupilos a vencer argumentações. Para atingir este objetivo, os sofistas ensinavam várias técnicas de persuasão, incluindo tanto o apelo à razão quanto o apelo à emoção. Em particular, eles ensinavam aos estudantes que era possível argumentar a favor ou contra qualquer proposição. Além de desenvolver as habilidades argumentativas de seus pupilos, os sofistas desenvolveram suas habilidades linguísticas, para que eles pudessem efetivamente comunicar os argumentos que elaboravam.


Alternativamente, os pais podiam buscar os serviços de um filósofo. Como os sofistas, filósofos ensinavam técnicas persuasivas, mas ao contrário deles, os filósofos pensavam que ao invés de ensinar seus pupilos  a persuadir, eles deviam ensiná-los a como viver bem. Consequentemente, de acordo com o historiador H. I. Marrou, em seus ensinamentos eles enfatizavam “o aspecto moral da educação, o desenvolvimento da personalidade e a vida interior.” Na medida em que faziam isso, muitos filósofos proveram a seus pupilos uma Filosofia de Vida: Eles os ensinavam que coisas na vida eram dignas de serem perseguidas e como melhor persegui-las.


Alguns destes pais que procuravam uma educação filosófica para seus filhos contratavam um filósofo para agir como um tutor particular; Aristóteles, por exemplo, foi contratado pelo Rei Felipe da Macedônia para ser tutor de Alexandre, que mais tarde se tornou “O Grande.” Aqueles que não podiam pagar um tutor particular enviavam seus filhos - mas provavelmente não suas filhas - para uma escola de filosofia. Após a morte de Socrates, estas escolas se tornaram proeminentes patrimônios da cultura Ateniense, e então, no segundo século antes de Cristo, encantada com a cultura Ateniense, as escolas de filosofia começaram a também aparecer em Roma.


Não existem mais escolas de filosofia, e isto é uma vergonha. É verdade que filosofia continua a ser ensinada nas escolas - mais precisamente, dentro dos departamentos de filosofia de universidades - mas o papel cultural aplicado por departamentos de filosofia é bem diferente do papel aplicado pelas antigas escolas filosóficas. Por exemplo, aqueles que se matriculam nas aulas de filosofia oferecidas pelas universidades estão raramente motivados a fazer-lo por um desejo de adquirir uma Filosofia de Vida.; ao invés disso, eles assistem aulas pois seus orientadores dizem que se eles não o fizerem, não irão se formar. E se eles buscarem uma Filosofia de Vida, eles irão, na maioria das universidades, ter muito trabalho em encontrar alguma aula que lhes ofereça isso.


Mas mesmo que escolas de filosofia sejam uma coisa do passado, as pessoas precisam tanto de uma Filosofia de Vida quanto precisavam no passado.. A questão é, onde elas podem ir para obter uma? Se forem ao departamento de filosofia de uma universidade, elas irão, como já expliquei, provavelmente ser desapontadas.


E se ao invés disso elas procurassem a igreja local. Seu pastor poderá lhes dizer o que devem fazer para se tornarem uma boa pessoa, isto é, o que devem fazer para ser moralmente íntegros. Elas podem ser instruídas, por exemplo, a não roubar ou mentir, ou (em algumas religiões) não praticar abortos. O pastor irá também provavelmente explicar o que devem fazer para terem uma boa vida após a morte: Deverão ir a missa/culto regularmente e rezar/orar, e (em algumas religiões) pagar o dízimo. Mas o pastor terá relativamente pouco a dizer sobre o que elas devem fazer para ter uma boa vida. Em realidade, a maioria das religiões, após informar aos convertidos o que devem fazer para serem moralmente íntegros e entrarem no céu, deixam para que eles determinem quais coisas na vida valem ou não a pena serem perseguidas. Estas religiões não vêem nada de errado em um convertido trabalhar duro para que possa comprar uma mansão e um carro esportivo caro, com tanto que ele não desrespeite as leis ao fazê-lo; também não vêem nada de errado caso o convertido abandone a casa por uma cabana ou abandone o carro por uma bicicleta.


E se as religiões oferecem aos seus seguidores conselhos sobre quais coisas na vida são ou não são bons objetivos, elas tendem a oferecer este conselho de uma maneira tão branda que os seguidores podem entender isso como apenas uma sugestão ao invés de uma diretiva sobre como viver e podem resolver ignorar este conselho. Isso, podemos imaginar, é o motivo dos seguidores de várias religiões, apesar das diferenças em suas crenças religiosas acabarem com as mesmas impensadas filosofias de vida, nomeadamente, formas de Hedonismo Esclarecido.


Portanto, apesar de Luteranos, Batistas, Judeus, Mórmons, e Católicos terem diferentes visões religiosas, eles são marcantemente parecidos quando encontrados fora da igreja ou sinagoga. Eles têm trabalhos similares e ambições profissionais similares. Vivem em casas similares, mobiliadas de maneiras similares. E eles desejam da mesma maneira por quaisquer produtos de consumo que estejam atualmente na moda.


É claramente possível para uma religião requerer de seus seguidores a adoção de uma filosofia de vida em particular. Considere, como exemplo, a religião Huterita, que ensina seus seguidores que uma das coisas mais valiosas na vida é o senso de comunidade.


Huteritas são, assim sendo, proibidos de adquirir propriedade privada, sendo a razão disso que tal propriedade podem dar início a sentimentos de inveja, que por sua vez pode destruir o senso de comunidade que os Huteritas valorizam. (Nós podemos, é claro, questionar se isso é uma Filosofia de Vida razoável.)


Muitas religiões, no entanto, não requerem que seus seguidores adotem uma filosofia de vida em particular. Contanto que os seguidores não causem dano a outros e não façam coisas que contrariam Deus, eles são livres para viver como quiserem. Portanto, se a religião Huerita parece tanto extremista quanto exótica para a maioria das pessoas, isso se dá por que elas não conseguem se imaginar pertencendo a uma religião que diz a elas como viver suas vidas.


O que isso quer dizer é que inteiramente possível nos dias de hoje uma pessoa ter sido criada em uma religião e ter tido aulas de filosofia na escola e mesmo assim ainda não possuir uma Filosofia de Vida. (Realmente, esta é a situação em que muitos de meus estudantes se encontram.) O que, então, aqueles que procuram uma Filosofia de Vida devem fazer? Talvez sua melhor opção seja criar para si mesmos uma escola de filosofia virtual lendo os trabalhos dos filósofos que dirigiram as antigas escolas. Isto, em certo grau, é o que, nas próximas páginas, eu encorajarei os leitores a fazer.


Na Grécia antiga, quando as escolas de filosofia ainda eram aspectos proeminentes do campo cultural, existiam inúmeras escolas para as quais os pais podiam enviar seus filhos. Suponhamos que pudéssemos viajar no tempo para 300 Ac e fizéssemos uma caminhada reflexiva por Atenas. Poderíamos iniciar nossa caminhada por Ágora, onde Sócrates um século antes filosofou com os cidadãos de Atenas. Na região norte de Ágora poderíamos ver a Stoa Poikile, ou o Pórtico Pintado, e lá encontráriamos Zenão de Cítio, o fundador da Escola Estóica de Filosofia. Este “pórtico” era na verdade uma colunata decorada com murais.


ZENÃO DE CÍTIO

Enquanto andávamos por Atenas, poderíamos passar pelo Filósofo Cínico Crates, de quem Zenão um dia frequentou a escola. Apesar dos primeiros Cínicos se encontrarem próximo ao ginásio de Cinosarges - daí o nome deles - eles podiam ser encontrados em qualquer lugar de Atenas, tentando atrair (ou arrastar, se necessário) pessoas comuns para a discussão filosófica. Além disso, mesmo que os pais estivessem dispostos a mandar seus filhos para estudar com Zenão, era muito difícil que eles os encorajassem a se tornarem Cínicos, afinal de contas as doutrinas cínicas, se internalizadas com sucesso, poderiam garantir  a seus filhos uma vida de pobreza terrível.


Seguindo para noroeste e deixando a cidade pelo Portão Dipylon, podemos chegar ao Jardim dos Epicuristas, presidido por Epicuro em pessoa. Enquanto  o Pórtico Pintado estava em um ambiente urbano, com as aulas estóicas sendo periodicamente interrompidas, pode-se imaginar, pelo barulho das ruas ou os comentários dos pedestre, o Jardim de Epicuro tinha um clima rural distinto. O Jardim era de fato um jardim funcional onde os epicuristas plantavam seus próprios vegetais. Continuando rumo ao noroeste, a uma milha de Ágora, nós chegaríamos a Academia, a escola de filosofia fundada por Platão em 387 Ac, um pouco mais de uma década após a morte de Sócrates. Como o Jardim de Epicuro, a Academia foi um impressionante local onde se filosofar. Era um retiro parcial, decorado com caminhos calçados e fontes.


No terreno da Academia existiam construções, pagas por Platão e seus amigos. Levando em consideração a época de 300 Ac pode ter sido Polemo, quem herdou a posição de mestre da escola. (O filósofo estoico Zenão, como veremos, frequentou a escola de Polemo por um tempo.)


Retornando, passando pela cidade novamente, e saindo dos portões da cidade pelos subúrbios orientais, nós chegariamos ao Liceu. Nesta área arborizada, próximos a um templo de Apolo Liceano, nós encontraríamos os Peripatéticos, discípulos de Aristóteles, andando e conversando, e ao fim deste grupo estaria Teofarasto.


Mas isto era apenas o começo das opções educacionais abertas aos antigos pais. Além das escolas mencionadas em nossa caminhada, existiam as escolas Cirenaica, Cética, Megariana, e Helênica mencionadas anteriormente, as quais podemos adicionar diversas outras mencionadas por Diógenes Laércio, incluindo a Eretriana, Anicerana e Teodorana, juntamente com as escolas matidas pelos Eudemonistas, os Amantes de Verdade, os Refutacionistas, os Racionais por Analogia, os Físicos, os Moralistas, e os Dialéticos. Como era de se esperar, homens jovens (e raramente, mulheres jovens) não eram os únicos a frequentarem escolas de filosofia.



Algumas vezes os pais estudavam com seus filhos. Em outros casos, adultos frequentavam as aulas nas escolas por si mesmos. Alguns destes adultos tinham um simples interesse em filosofia; talvez tenham frequentado uma escola quando jovens e então buscavam “formação continuada” na Filosofia de Vida ensinada por aquela escola. Outros adultos, apesar de nunca terem pertencido a uma escola, podiam ter assistido aulas como convidados. Suas motivações eram provavelmente as mesmas com as quais indivíduos modernos assistem aulas públicas: Procurando se tornar esclarecidos e entretidos.


Alguns outros adultos tinham motivos posteriores para frequentarem escolas de filosofia. Eles queriam começar suas próprias escolas e assistiam aulas de diretores de escolas de sucesso para tomar emprestadas idéias filosóficas que poderiam usar em seus próprios ensinamentos. Zenão de Citio foi acusado de fazer exatamente isto: Polemo reclamou que os motivos para que Zenão assistisse suas aulas na Academia eram os de roubar suas doutrinas.


As escolas de filosofia rivais diferiam nos temas que ensinavam. Os primeiros Estóicos, por exemplo, eram não somente interessados em uma Filosofia de Vida, mas em física e em lógica também. pela simples razão de que eles pensavam que essas áreas de estudo eram intimamente ligadas. Os Epicuristas compartilhavam com os Estóicos o interesse em física (apesar de terem visões diferentes a respeito do mundo físico) mas não mantinham o mesmo interesse em lógica. Os Cirenaicos e Cínicos não eram interessados nem em física ou lógica; em suas escolas, tudo que alguém podia aprender era uma Filosofia de Vida.


Aquelas escolas que ofereciam aos alunos uma Filosofia de vida diferiam na filosofia que recomendavam. Os Cirenaicos, por exemplo ensinavam que o grande objetivo em viver era a experiência do prazer e então advogavam tomar vantagem de todas a oportunidades de experiência-lo. Os Cínicos advogavam um estilo de vida ascético: Se você quer uma boa vida, eles argumentavam, você precisa aprender a desejar quase nada. Os Estóicos ficavam em algum lugar entre os Cirenaicos e os Cínicos: Eles ensinavam que as pessoas podem aproveitar as coisas boas que a vida tem para oferecer, incluindo a amizade e a riqueza, mas apenas se elas não se tornassem dependentes destas coisas boas. Na realidade, eles ensinavam que devemos periodicamente interromper nossos prazeres com as coisas que a vida poderia nos oferecer para passar algum tempo contemplando a perda do que quer que seja que estejamos aproveitando.


Afiliar-se a uma escola de filosofia era algo sério. De acordo com o historiador Simon Price, “Aderência a um secto filosófico não era simplesmente uma ação da mente, ou o resultado de mero modismo intelectual. Aqueles que levavam suas filosofias a sério tentavam viver aquela filosofia diariamente.” Assim como a religião de um indivíduo moderno pode se tornar o elemento chave de sua identidade pessoal - pense em um Cristão renascido - uma antiga associação filosófica Grega ou Romana se torna uma parte importante de quem ele era. De acordo com o historiador Paul Veyne, “Para verdadeiramente ser um filósofo tinha que viver a doutrina de seu secto, conformar suas condutas ( e até suas vestes) a ela, e se necessário, morrer por ela.


Leitores deste livro podem no entanto manter em mente que apesar de eu advogar o Estoicismo como Filosofia de Vida, ele não é a única opção disponível para aqueles buscando uma filosofia. Além disso, apesar dos Estóicos terem pensado que poderiam provar que a filosofia deles era a Filosofia de Vida correta, eu não (como veremos no capítulo 21) acho que tal prova é possível. Ao invés disso, eu penso que a filosofia de vida que uma pessoa pode escolher depende de sua personalidade e das circunstâncias.


Mas havendo admitido isto, deixe me dizer que penso que existem muitas pessoas a quem a personalidade e as circunstâncias os fazem maravilhosos candidatos a pratica do Estoicismo. Além disso, qualquer que seja a Filosofia de vida que uma pessoa acabe adotando, ela provavelmente terá uma vida melhor do que se tivesse tentado viver - como muitas pessoas fazem - sem uma Filosofia de Vida coerente.
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*Este texto se trata de uma tradução.




De seu lorde, senhor e majestade imperial. Tirano



3 comentários:

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